Entre 1990 e 2007, o rendimento per capita irlandês, subiu de 75% da média da UE a quinze, para o segundo mais alto, apenas ultrapassado pelo Luxemburgo.
Este "milagre" foi matéria de estudo durante anos.
Inicialmente, investiu fortemente na educação, criando assim uma mão-de-obra altamente qualificada, e a partir daí, tudo fez para atrair investimento estrangeiro.
Os impostos sobre as empresas, desceram até aos mínimos, atingindo o valor actual de 12,5%, as subidas dos salários foram limitadas, os mercados de trabalho e produtos desregulados, e o facto de a língua mãe ser o inglês foi bastante favorável.
A estratégia resultou, e as multinacionais, maioritariamente de origem norte-americana, escolheram a Irlanda como base para as suas operações europeias, explodindo assim as suas exportações, e a taxa de emprego.
São exemplos: Apple, Siemens, Barclays, Mcafee, Blizzard Entertainment, Microsoft, Lilly, entre muitas outras (cerca de 1000).
Esta entrada de multinacionais, veio acompanhada de capitais, o que veio inchar a bolha imobiliária, e com o estouro desta nos EUA, a Irlanda foi atrás.
Multinacionais fecharam portas, desemprego aumentou, os bancos irlandeses (Anglo Irish Bank, Bank of Ireland, TSB, Ulster Bank) repletos de "activos tóxicos".
Estando a Irlanda muito dependente da situação económico-financeira dos EUA, não admira que tenha sido o primeiro país da zona Euro a entrar em recessão.
Actualmente com uma taxa de desemprego a rondar os 14%, um défice público de 32% (já a contar com a ajuda do Estado irlandês aos 3 bancos com mais dificuldades) e com deflação de 1%, leva-nos a verificar que a sua situação é das mais graves a nível mundial, contudo, olhemos para as previsões da Comissão Europeia, Eurostat e FMI para este ano e para os próximos:
Exportações (%PIB 2010): 96.8 (mais alto dos PIGS)
Crescimento factor produtividade total (% 2010): 0,9 (mais alto dos PIGS)
Crescimento médio anual PIB (2000-2009): 3,7 (mais alto dos PIGS)
Crescimento médio anual PIB previsto (2010-2015): 2,3 (mais alto dos PIGS e acima da média europeia)
A Irlanda continua com superavit na balança comercial, e está previsto manter-se assim.
Apesar das duras medidas de austeridade impostas pelo governo de Dublin nos orçamentos deste ano e do próximo, aplaudidas pelos mercados financeiros, UE e FMI, estas 3 instituições, querem mais, e nos últimos tempos, apontaram as baterias para um dos pilares do chamado "milagre do Tigre Celta": imposto sobre as empresas.
Com a pressão exercida sobre Dublin, para abrir as portas às ajudas da UE e FMI, encontram-se desde ontem os responsáveis de ambos em Dublin, para estudar a situação irlandesa.
Caso a Irlanda aceite a ajuda externa, o que é o mais certo, é bem provável que uma das imposições, seja o aumento do imposto sobre as empresas, se assim for, no decorrer dos anos, a Irlanda manter-se-á no fundo da tabela, como se encontrava antes do dito "milagre", sendo inclusive, ultrapassada por países como Portugal e Grécia.
Com a "ajuda" do FMI, vem o fim do "Tigre Celta"...
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