"Ferreira de Oliveira conquistou o sexto lugar “ex aequo” do prémio CEO em Destaque.
Quando Manuel Ferreira de Oliveira ocupou a cadeira de presidente executivo (CEO) da Galp, em 2006, estava longe de imaginar as atribulações accionistas em que a empresa se haveria de envolver. Um impasse gerado por uma aparente falta de consenso que a sua sucessão tem tido junto dos accionistas de referência da petrolífera portuguesa [Eni, Sonangol/Isabel dos Santos e Américo Amorim]. E, dado o perfil reservado do executivo, decerto que esta situação confusa desagradará ao gestor, indicado como sendo próximo de Amorim.
Aparte destes episódios à volta da liderança, a Galp é hoje uma empresa respeitada a nível internacional, por analistas e investidores. E o seu líder, que na semana passada ganhou mais um prémio - foi considerado o melhor CEO do sector de petróleo e gás da Europa -, é visto como um executivo de excelência. Um prémio a que não é alheia a forte valorização da Galp, bem como o forte conhecimento que o gestor tem do sector e que fazem dos seus ‘road shows' internacionais verdadeiros casos de sucesso.
Passagem pelas cervejas
Com uma carreira sempre ligada ao mundo da energia, em especial do petróleo, Ferreira de Oliveira só fez um pequeno intervalo quando, em 2000, aceitou presidir à cervejeira Unicer - um cargo que manteve até 2006.
A sua paixão pelo petróleo, contudo, falou mais alto. Por isso, conseguiu convencer os accionistas da Unicer (Arsopi, Violas e BPI) a entrarem na corrida à Galp. Só que o processo não teve o final pretendido e Ferreira de Oliveira - que nunca escondeu que "aquela era a sua cadeira de sonho" - aceitou o convite de Amorim para suceder a Marques Gonçalves na liderança da petrolífera. Um processo que acabaria por lhe criar algumas inimizades. "Nos accionistas da Unicer há quem não lhe consiga perdoar o facto de ele ter mudado de lado", revela quem acompanhou o processo de perto.
Natural de Oliveira de Azeméis e pai de dois filhos, Manuel Ferreira de Oliveira não gosta muito das luzes da ribalta. Quem convive de perto com o gestor garante que "é muito pedagógico, parece um professor catedrático que nos está sempre a ensinar". E, acrescentam as mesmas fontes, "é muito afectuoso e meigo, ainda que muito formal" - uma formalidade que cai por terra quando fala da neta, a "menina dos seus olhos". Os seus colaboradores mais próximos destacam-lhe a "seriedade com que se envolve nos projectos, e o gosto que tem por projectos de longo prazo".
O gestor da iberização
Habituado a trabalhar no estrangeiro, Ferreira de Oliveira criou na Galp uma dimensão internacional. Fontes próximas ao CEO dizem mesmo que "é a empresa portuguesa que mais valor/negócio tem fora de Portugal". E realçam ainda a expansão da petrolífera para o mercado vizinho, onde iniciou "o processo de iberização da Galp, com uma das maiores aquisições em Espanha realizada por uma empresa portuguesa: a compra das redes da Exxon e da Agip". A estas há ainda a juntar, a aquisição da Gas Natural, o que fez da Galp o segundo maior operador ibérico de gás natural.
Um projecto que também é imputado à gestão de Ferreira de Oliveira é a forte aposta da petrolífera em ‘upstream'. Para além dos projectos de Angola e Brasil, a empresa apostou em mais projectos como Moçambique, Timor e Portugal. Mas, mesmo neste ponto Ferreira de Oliveira não se livra da polémica. Bandeira Vieira, ex-presidente da Galp, diz-se o "pai" do pré-sal na Bahia de Santos.
Considerado um dos maiores peritos do sector em Portugal - título a que não é alheia a sua passagem na PDV-Petróleos da Venezuela e na BP -, o gestor tem pela frente um forte desafio: suportar os fortes investimentos da Galp no Brasil. Mas como "quem corre por gosto não cansa", Ferreira de Oliveira continua indiferente às polémicas e a desempenhar o seu papel. Uma responsabilidade que o fez mesmo afirmar, há uns meses, que está disponível para ficar à frente da empresa.
Uma carreira dedicada ao petróleo
Presidente da Galp desde Abril de 2006, Ferreira de Oliveira tem uma vida inteira dedicada ao petróleo. Licenciado em engenharia electrónica pela Faculdade de Engenharia do Porto e doutorado em sistemas de energia pela Universidade de Manchester, teve ainda uma passagem pela empresa Petróleos de Venezuela e e pela BP."
in Diário Económico Online 24/07/11 15:22